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Análise identificou rachaduras em área de mais de 16 mil metros ao redor de ponte que desabou no Acre

Ponte Frei Paolino: Imagens mostram área demarcada com cal antes de desabamento Cerca de uma semana antes do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em S...

Análise identificou rachaduras em área de mais de 16 mil metros ao redor de ponte que desabou no Acre
Análise identificou rachaduras em área de mais de 16 mil metros ao redor de ponte que desabou no Acre (Foto: Reprodução)

Ponte Frei Paolino: Imagens mostram área demarcada com cal antes de desabamento Cerca de uma semana antes do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre, foram identificada movimentações no solo e rachaduras em uma área de mais de 16 mil metros quadrados no entorno da estrutura. Na época, equipes técnicas começaram a identificar sinais de instabilidade no terreno onde fica a ponte, próximos a bairros da localidade e, nos dias seguintes, a situação piorou rapidamente com o surgimento de rachaduras, deslocamento de terra e desníveis em diferentes pontos ao redor da estrutura. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp 👉🏽 Contexto: A ponte desabou na noite de sexta-feira (5) com quatro pessoas em cima. A estrutura estava interditada desde quinta (4) por risco de desabamento às margens do Rio Iaco. Imagens de câmeras de segurança registraram o desabamento e as pessoas, que ultrapassaram o bloqueio, passando. Veja quem são os feridos aqui. Veja o que se sabe sobre o acidente ANTES E DEPOIS: Imagens mostram como ficou ponte que desabou As informações são da Construtora Cidade Ltda, responsável pela obra, divulgadas em uma nota. Imagens feitas pelos técnicos da empresa mostram a área no entorno da ponte onde havia instabilidade no solo e coloca a área em risco. (Veja vídeo acima) Imagens mostram área ao redor da ponte com rachaduras Arquivo/Construtora Cidade Com base nas informações técnicas, a empresa encaminhou ao Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre), na quinta-feira (4), uma recomendação para que a ponte fosse interdida para passagem de pedestres e veículos por conta do risco de desabamento às margens do Rio Iaco. Na quinta, o Deracre confirmou que o tráfego foi interrompido e a passagem seria feita em outra ponte metálica, conhecida como pontilhão. "A Construtora Cidade ressalta que mais estudos técnicos estão sendo realizados pela equipe contratada, composta por especialistas de reconhecida experiência nacional nas áreas de geotecnia, hidrologia, estruturas, fundações e topografia", diz trecho da nota da empresa. (Leia na íntegra ao final do texto). Uma equipe de engenheiros, geólogos e o dono da empresa chega ao Acre na noite desta segunda (8) e na terça (9) pela manhã segue para Sena Madureira. O Ministério Público do Acre acionou a Defesa Civil Municipal para fazer vistorias e verificar a necessidade de remoção de moradores nas áreas mais críticas. Empresa atribui desmoramento a fenômeno A construtora atribui o acidente ao fenômeno terras caídas, que ocorre às margens dos rios, nas áreas fluviais. Ele é comum na região amazônica e se desenvolve através do colapso da margem do rio na maioria das vezes, ou então por erosão muito acelerada da margem do manancial, especialmente nas margens que têm uma alta declividade. "As avaliações preliminares apontaram indícios compatíveis com processo de instabilidade geotécnica conhecido como fenômeno de 'terras caídas', caracterizado por movimentações de grandes massas de solo associadas a processos erosivos e às variações naturais dos níveis dos rios. A identificação desses indícios foi um dos fatores que motivaram a recomendação imediata de interdição da estrutura", argumenta. O g1 questionou a empresa se a obra foi feita levando em consideração as peculiaridades da região e se o projeto de construção previa essa mudança às margens do rio e aguarda retorno. Foram indentificadas rachaduras, deslocamentos de solo e desníveis em diferentes pontos da área no entorno da ponte Frei Paolino Arquivo/Construtora Cidade Medidas emergenciais A Justiça do Acre deferiu, de forma parcial, as medidas do governo que pedem a responsabilização da Construtora Cidade Ltda, responsável pela obra. Na decisão, a Justiça determinou que a empresa adote medidas emergenciais voltadas à proteção da população e mitigação dos riscos devido ao desabamento. Além disso, foi fixada multas diárias que somam R$ 200 mil, em caso de descumprimento. As ações foram julgadas durante o plantão judicial desse sábado (6). A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) entraram na Justiça no sábado (6) com duas medidas judiciais para assegurar a responsabilização da empresa. Ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou em Sena Madureira, no Acre Jhenyfer Souza/g1 O objetivo, segundo a gestão, é garantir a adoção de providências tomadas pela construtora e a preservação de recursos para reparar os danos causados pelo colapso da ponte. Confira abaixo um resumo dos pedidos do governo e a decisão da Justiça acreana: Que empresa preste assistência material às vítimas, incluindo custeio de despesas médicas, hospitalares e de reabilitação não cobertas pela rede pública - A Justiça atendeu esse pedido e deu um prazo de 5 dias para que a empresa apresente um plano de assistência às famílias, instabilidade das margens ou por riscos decorrentes do colapso. A determinação inclui a remoção e oferta de habitações, caso haja necessidade, e estabelece multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento; Envio de uma equipe técnica da construtora para vistoriar a estrutura que ficou, com apresentação de laudo técnico sobre as condições e as medidas emergenciais para evitar novos danos - A Justiça também estabeleceu um prazo de 72h para que a construtora envie a equipe e faça a vistoria na estrutura. No prazo de cinco dias, a responsável pela obra apresentar um laudo técnico à Justiça e ao Deracre. Multa diária de R$ 50 mil, caso seja descumprida; Obrigação de adoção imediata de medidas mitigatórias emergenciais destinadas à contenção de riscos - Ações de sinalização, isolamento, estabilização provisória e outras providências técnicas recomendadas para evitar novos danos devem ser adotadas. Em caso de descumprimento, a empresa deverá pagar multa diária de R$ 100 mil. O governo também ajuizou um pedido de bloqueio cautelar dos bens da construtora, para garantir um possível ressarcimento, contudo, a Justiça entendeu que medidas desse tipo devem ser analisadas pelo juiz responsável pelo caso. A avaliação deve ocorrer com mais detalhes e garantir o direito de defesa das partes. O pedido foi encaminhado com urgência para análise regular. Ponte Frei Paolino Baldassari desabou na sexta-feira (5) Pedro Devani/Secom Suspensão de contrato Além de acionar a Justiça, o governo também publicou nesse sábado (6), no Diário Oficial do Estado (DOE), dois decretos para apurar as circunstâncias relacionadas ao desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari. O decreto nº 11.902/2026 determina que o Deracre instaure um Procedimento Administrativo de Responsabilização (PAR) contra a Construtora Cidade Ltda. Conforme a medida, o objetivo é apurar as responsabilidades contratuais, técnicas, administrativas e patrimoniais devido a queda da ponte. Além disso, a norma também estabelece um prazo de 90 dias para que os trabalhos sejam concluídos e determina, de forma preventiva e cautelar, a suspensão de contratos, processos de contratação e pagamentos que possam estar vinculados à construtora no âmbito da administração pública estadual. Ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou em Sena Madureira, no Acre Jhenyfer Souza/g1 Criação de comissão Outra medida se refere ao Decreto nº 11.903/2026 que institui a Comissão Especial de Análise Técnica, responsável pela investigação das causas do desabamento da ponte. A comissão será formada por representantes de órgãos estaduais e entidades públicas como PGE, Deracre, secretarias de Estado de Obras Públicas (Seop), de Habitação e Urbanismo (Sehurb), Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, Corpo de Bombeiros do Estado do Acre, entre outras. Conforme o decreto, a comissão vai atuar de forma independente e multidisciplinar e deve desenvolver análises em áreas: técnico-estrutural; controle e fiscalização administrativa; e jurídico-contratual. Os trabalhos serão organizados para a conclusão do relatório final, que deve apontar: as causas técnicas do desabamento; avaliar os procedimentos de fiscalização e manutenção adotados; examinar a regularidade da execução contratual; e apresentar recomendações para o aperfeiçoamento de obras públicas de infraestrutura no Acre. O prazo inicial para a conclusão dos trabalhos da comissão é de 30 dias, podendo ser prorrogado, mediante deliberação fundamentada. Inquérito A Polícia Civil confirmou que instaurou um inquérito para apurar as causas do desabamento. A investigação deve ser concluída em 30 dias. O delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Paulo Buzolin, confirmou que peritos do município já fizeram uma perícia preliminar no local do desmoronamento. Três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) foram designados para conduzir a investigação. Trabalhadores feridos em desabamento no AC estavam na ponte: 'Encostei no fundo do rio' O Ministério Público do Acre (MP-AC) também confirmou que a Promotoria de Justiça Cível e Criminal de Sena Madureira instaurou um procedimento para apurar as causas do acidente. O órgão solicitou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) uma perícia na área do acidente para identificar se houve falhas no projeto, na execução da obra ou na utilização do material. A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada no dia 19 de dezembro de 2023 e tinha 232 metros de extensão. Executada pela construtora Cidade Ltda, a obra custou mais de R$ 36 milhões. Conforme o Corpo de Bombeiros, a parte da estrutura que ruiu corresponde a 60% da extensão, o que dá cerca de 139 metros. LEIA MAIS Moradores de áreas próximas ao local onde ponte caiu temem desmoronamentos; MP pede remoção Juiz aposentado que fazia live é um dos feridos em desabamento de ponte no interior do Acre; VEJA VÍDEO À época da abertura, a Prefeitura de Sena Madureira estimava que 2,5 mil pessoas seriam beneficiadas pela passagem, que ligava os dois distritos do município. Os escombros seguem no leito do Rio Iaco enquanto os bombeiros e Defesa Civil estudam maneiras de retirar o material. O Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) disse que vai esperar os representantes da empresa chegarem no Acre para iniciar a remoção. Leia, na íntegra, a nota da Construtora Cidade A Construtora Cidade manifesta sua solidariedade às pessoas atingidas e aos seus familiares em decorrência do colapso da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira (AC), ocorrido na última sexta-feira (05/06/2026). A empresa informa que a ponte foi construída com observância à técnica e às normas vigentes da engenharia, tendo sido recebida pelo DERACRE ao final de 2023 e permaneceu em operação regular desde então, sem registro anterior de anomalias estruturais que indicassem risco à sua estabilidade. Há cerca de uma semana, equipes técnicas passaram a observar sinais de instabilidade no terreno da região onde a ponte está inserida. Esses sinais evoluíram rapidamente nos dias seguintes, com o surgimento de rachaduras, deslocamentos de solo e desníveis em diferentes pontos da área no entorno da ponte. Diante desse cenário, a Construtora Cidade mobilizou profissionais especializados das áreas de engenharia estrutural, fundações e topografia para avaliação das condições locais. Os levantamentos preliminares realizados em campo identificaram movimentações significativas de solo em uma área muito mais ampla do que a própria ponte, abrangendo aproximadamente 16 mil metros quadrados e alcançando também áreas adjacentes do bairro localizado nas proximidades. Com base nas informações técnicas disponíveis naquele momento, a empresa encaminhou ao DERACRE, na quinta-feira (04/06/2026), por volta das 13 horas (horário do Acre), recomendação formal para a interdição total da ponte, inclusive para o trânsito de pedestres, diante do risco identificado por suas equipes. As avaliações preliminares apontaram indícios compatíveis com processo de instabilidade geotécnica conhecido como fenômeno de "terras caídas", caracterizado por movimentações de grandes massas de solo associadas a processos erosivos e às variações naturais dos níveis dos rios. A identificação desses indícios foi um dos fatores que motivaram a recomendação imediata de interdição da estrutura. A ocorrência do fenômeno natural, extraordinário e imprevisível de "terras caídas" pode, dependendo da dimensão, ocasionar a ruptura da estrutura de obras viárias, como o ocorrido na Ponte do Frei Paolino Baldassari. A Construtora Cidade ressalta que mais estudos técnicos estão sendo realizados pela equipe contratada, composta por especialistas de reconhecida experiência nacional nas áreas de geotecnia, hidrologia, estruturas, fundações e topografia. A empresa permanece à disposição dos órgãos públicos, da imprensa e da sociedade para prestar todos os esclarecimentos necessários, reafirmando seu compromisso com a segurança das pessoas, com a engenharia responsável e com a busca rigorosa da verdade técnica sobre os fatos. Construtora Cidade Junho de 2026 Reveja os telejornais do Acre